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Priscovero

Prisco e Vero foram dois gladiadores da Roma Antiga que lutaram entre si nos Jogos Inaugurais do Coliseu, que tiveram lugar no ano 80 d.C. Da união dos seus nomes nasceu este blogue.

Priscovero

História de Alfândega da Fé

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A Alfândega (da Fé) é um nome de origem árabe que a localidade deverá ter adquirido entre os séculos VIII e IX. A designação “da Fé", que se juntou ao nome original, surgiu em data incerta, mas já aparecia no foral, concedido em 1294, por D. Dinis. Foi ainda este monarca que, em 1320, mandou reconstruir o castelo da vila. Durante o período da ocupação árabe, foi sede administrativa, com alguma importância, de uma região designada “Valiato de Alfandica".

 

Em 1385, D. João I obrigou os moradores de Alfândega da Fé a trabalhar na reconstrução dos muros de Torre de Moncorvo, talvez como “castigo" pelo facto de a vila ter tomado partido por Castela. Este seria também o primeiro monarca a passar por ali, na viagem que, no ano de 1396, o levou a Torre de Moncorvo e Bragança.

 

Dos séculos XVI a XVIII existem poucos dados históricos sobre a localidade e o concelho. Sabe-se, no entanto, que em 1510 D. Manuel I lhe concedeu novo foral, alterando os limites geográficos do concelho medieval e aumentando-o em área. No século XVI, a vila encontrava-se praticamente despovoada. O número de casas não chegava sequer a uma centena.

 

O castelo da vila terá sido destruído entre os séculos XVII e XVIII. Restou aquilo a que hoje se chama Torre do Relógio e que constitui o ex libris da localidade.

 

A vila e o seu concelho ganharam novo fôlego a partir do século XVIII, um desenvolvimento que se deveu, em parte, ao incremento da criação do bicho da seda, que, em 1870, atingiu o seu auge, com uma produção de 17,2 toneladas. A par da agricultura, que ainda hoje se mantém como a mais importante atividade económica do município, foram-se desenvolvendo algumas indústrias artesanais, como a moagem de cereais, os pisões do linho, o fabrico da cal e da telha, os lagares de azeite e a cestaria.

 

O século XIX registou a página mais negra da história de Alfândega da Fé. Depois de mais duas alterações aos seus limites, em 1852 e 1855, o concelho acabaria por ser extinto, por decreto de 1895, devido a razões políticas e administrativas. A revolta da população foi generalizada e nalguns casos violenta. A restauração do concelho viria a dar-se em 1898.